27 julho, 2015

Beires, Sarmento - De Portugal a Macau. " A Viagem do Pátria"


Seara Nova, Lisboa, 1925. In-8º de 202-V pág. Encadernação inteira de pele com gravações a ouro na capa e lombada. Preserva as capas de brochura. Ilustrado fora do texto com fotografias originais coladas manualmente sobre cartolina com composição tipográfica a emoldurar e legendar as fotos. Livro muito raro especialmente por se tratar da tiragem númerada de apenas 70 exemplares assinados pelo Autor, sendo este o n.º 39. [Depois da I Guerra Mundial as grandes potencias iniciaram um vasto programa de voos intercontinentais e tentativas de ligação entre as Américas e a Europa. Portugal entrou também nesta corrida e depois do voo de Cabral e Coutinho em 1922, Sarmento de Beires em 7 de Abril de 1924, no mesmo dia em que foi promovido por distinção a major, partiu de Vila Nova de Mil Fontes com Brito Pais, para o voo a Macau a bordo do Pátria um Breguet Br16 especialmente transformado nas oficinas da Amadora para a longa viajem. O mecânico Manuel Gouveia que só embarcou em Tunes foi o responsável pelos trabalhos de transformação do avião. Até à Índia o voo decorreu sem acidentes significativos tendo sido cumpridas todas as etapas previstas. No dia 7 de Maio ao sobrevoavam o deserto de Thur próximo da cidade de Jodhpur na Índia, aterraram de emergência devido ao sobreaquecimento do motor. O contacto com o solo foi fatal e o aparelho ficou completamente destruído. Os aviadores escaparam ilesos. Para o recomeço da viagem foi então decidido comprar-se um outro aparelho na Índia um DH9 baptizado de Pátria II. Os restos do primeiro avião foram encaixotados e embarcados para Lisboa. O motor repousa hoje no Museu do Ar. A viagem recomeçou no dia 30 de Maio retomando o percurso planeado. No dia 20 de Junho sobrevoam Macau vindos de Hanói mas a visibilidade e o vento não permitiram a aterragem pelo que decidiram alternar para Cantão mas como o tempo naquela direcção também piorava desviaram-se para Hong Kong. No entanto a forte ventania acabou por forçar a aterragem num terreno mal preparado próximo de Shum-Chum a poucos quilómetros de Hong Kong. Ao tocar o solo o avião partiu o hélice e o trem mas os pilotos não sofreram qualquer ferimento. No dia 21 de Junho a Canhoeira Pátria da Armada Portuguesa foi buscar os aviadores a Hong Kong e no dia seguinte foram recebidos entusiasticamente em Macau. Para trás ficaram mais de 16.000 km voados em 115 horas]. Exemplar em muito bom estado. Peça de colecção.
€ 200,00

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